Estive pensando no quanto “se adaptar” carrega a impressão de que existe um destino final. Quase como uma linha de chegada: um lugar quentinho, confortável, onde finalmente “estaremos adaptados”. Um estado onde já sabemos todas as regras do jogo e, depois disso, é só seguir.

Escutamos essa ideia no onboarding de um novo trabalho, no puerpério, na mudança para outro país. Existe a crença de que, depois de um período inicial de erros, aprendizagens, cansaço e descobertas, chegaremos a um lugar onde nada mais nos surpreende.

Mas, honestamente? Na minha vida pessoal e profissional, eu nunca cheguei nesse lugar. Ou, quando achei que tinha chegado, a vida mudou todas as regras. Ou mudou todos os jogadores. Ou mudou o jogo inteiro.

Quando atingi um cargo que nem imaginava, veio o impulso de fazer algo completamente diferente.
Quando estava totalmente confortável no novo país, veio a mudança de cidade.
Quando achei que tinha entendido o jogo da maternidade… bem, você sabe.

Fala-se muito sobre como a única certeza que temos é que tudo muda, mas viver isso é outra história. E viver em um mundo volátil, incerto, complexo, ambíguo — e também frágil, ansioso, não linear — nos coloca frente a uma sensação constante de imprevisibilidade.

Costumam dizer que ansiedade é excesso de futuro. Eu entendo como excesso de tentativa de antecipar o futuro. E, junto disso, antecipar como reagir a cada possibilidade.

Só que, se o mundo muda o tempo inteiro, tentar prever tudo não nos leva muito longe. Talvez o caminho mais saudável seja aceitar que a ansiedade não impede o inesperado — e cultivar algo no lugar dela: consciência.

Consciência das forças, habilidades e capacidades que já temos.
Consciência do nosso movimento.
Consciência de que aprender faz parte.
Aprender com a vida real, na arena, colocando nossas habilidades em jogo e observando as respostas do ambiente.

Fortalecer a confiança não de que “já sabemos tudo”, mas de que podemos aprender o que for preciso quando o próximo jogo começar.

No fim, não se trata de se preparar para a linha de chegada.
Se trata de estar presente, desperto e aprendendo sempre.

Com afeto,
Karol 💜

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