Desde que comecei a empreender, descobri que fazer networking deixou de ser uma opção e passou a fazer parte da construção do meu negócio.
No mundo corporativo, eu também construía relacionamentos profissionais, mas eles aconteciam de forma mais espontânea: dentro da empresa, com colegas de outras áreas ou de outros países.
Quando comecei a empreender, a realidade mudou. Passei a precisar construir novas conexões do zero.
E, para ser sincera, isso me incomodava.
Por muito tempo enxerguei o networking como uma obrigação. Algo difícil, quase artificial, como se eu estivesse me aproximando das pessoas apenas porque precisava de alguma coisa.
Com o tempo, percebi que o problema não era o networking.
Era a forma como eu o enxergava.
Networking é uma via de mão dupla
A primeira mudança aconteceu quando entendi que networking não é pedir, mas contribuir.
Antes de pensar em quem eu gostaria de conhecer, comecei a fazer uma pergunta para mim mesma:
O que eu tenho para oferecer?
Experiência. Conhecimento. Uma indicação. Uma conexão. Ou simplesmente uma escuta atenta.
Quando temos clareza do valor que podemos gerar, fica muito mais natural iniciar conversas e construir relacionamentos.
Depois veio uma segunda pergunta:
Em que eu realmente preciso de ajuda?
Foi aí que percebi outro equívoco.
Há quem evite fazer networking porque tem medo de parecer interesseiro.
Mas conexões profissionais saudáveis não são sobre usar alguém.
Estamos falando de troca.
Na minha experiência, as pessoas costumam ser muito mais abertas a ajudar do que imaginamos. Muitas vezes, elas apenas não sabem como contribuir.
Quando abrimos espaço para essa troca, é comum encontrar generosidade, interesse genuíno e novas possibilidades.
Networking também faz parte das transições de carreira
Esse aprendizado não ficou apenas na minha experiência como empreendedora.
Ao longo dos processos de mentoria e coaching de carreira, percebo que muitas mulheres também sentem desconforto quando o assunto é networking, especialmente durante momentos de transição profissional.
Ao buscar uma nova posição, mudar de área ou retomar a carreira, é comum associar networking a “pedir favores” ou “usar as pessoas para conseguir oportunidades”.
Mas, na prática, as conexões mais valiosas raramente nascem desse lugar.
Elas surgem quando existe curiosidade, troca e disposição para contribuir.
Talvez seja por isso que as melhores conversas profissionais quase nunca começam com um pedido, mas com interesse genuíno.
O LinkedIn pode ser muito mais do que uma rede social
Outro aprendizado importante dessa jornada foi perceber o potencial do LinkedIn para construir networking.
É fácil entrar no piloto automático: curtindo, comentando, publicando, alimentando o algoritmo. Mas, aos poucos, percebi que existe uma forma muito mais intencional de usar a plataforma.
Hoje, quando leio um conteúdo, costumo me perguntar:
O que exatamente chamou minha atenção?
Por que esse tema gerou identificação?
Existe alguma experiência que eu possa acrescentar a essa conversa?
Essa pequena mudança transformou a forma como interajo.
Em vez de simplesmente marcar presença, procuro construir conversas.
Também passei a demonstrar admiração quando um conteúdo realmente me impacta.
Um comentário genuíno.
Uma mensagem compartilhando uma reflexão.
Uma conversa iniciada por causa de uma ideia.
Esses pequenos movimentos fortalecem conexões muito mais do que a interação automática que as redes sociais nos acostumaram a fazer.
Networking abre oportunidades valiosas
Hoje, networking deixou de ser uma estratégia para aumentar contatos.
Passei a enxergá-lo como uma prática de construir relações.
Relações baseadas em curiosidade, generosidade e troca.
E esse, possivelmente, tenha sido o maior aprendizado dessa jornada.
Quanto mais deixei de pensar em networking como uma forma de conseguir algo e passei a enxergá-lo como uma oportunidade de contribuir e aprender com outras pessoas, mais naturais as conexões se tornaram.
No fim, networking tem muito menos relação com quantidade de contatos e muito mais com a qualidade das relações que escolhemos construir.
E você? Como tem cultivado suas conexões profissionais?